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Músico de Itu ganha bolsa de doutorado em universidade de 900 anos que teve Copérnico como aluno

Músico de Itu realiza sonho histórico e conquista bolsa de doutorado na Itália A história da música clássica construída no interior paulista cruzará o O...

Músico de Itu ganha bolsa de doutorado em universidade de 900 anos que teve Copérnico como aluno
Músico de Itu ganha bolsa de doutorado em universidade de 900 anos que teve Copérnico como aluno (Foto: Reprodução)

Músico de Itu realiza sonho histórico e conquista bolsa de doutorado na Itália A história da música clássica construída no interior paulista cruzará o Oceano Atlântico para desembarcar no coração da Europa. O maestro, músico e pesquisador paulista Leonardo Leite, de 29 anos, embarca nesta segunda-feira (10) para um intercâmbio de doutorado na Universidade de Bolonha, na Itália. A instituição foi fundada em 1088 e é reconhecida como a mais antiga do mundo ocidental. As salas de aula já receberam intelectuais e cientistas que mudaram os rumos da humanidade, como o astrônomo Nicolau Copérnico, autor da teoria heliocêntrica, e o escritor Umberto Eco. Veja mais detalhes abaixo. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Música da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), sob orientação do professor Doutor Marcos Virmond, Leonardo conquistou o 1º lugar no processo seletivo da bolsa do Programa de Doutorado-Sanduíche no Exterior (PDSE), concedida pela Capes (Ministério da Educação). A confirmação preliminar da conquista veio com forte carga simbólica no dia 2 de fevereiro, data em que se comemora o aniversário de Itu (SP), onde ele nasceu. "Fiquei extremamente emocionado, ainda sem acreditar. O resultado oficial veio cerca de dois meses depois. É uma alegria indescritível pensar no longo percurso de estudos que me possibilitou alcançar esse objetivo", afirma Leonardo. Músico de Itu realiza sonho histórico e conquista bolsa de doutorado na universidade mais antiga do Ocidente Arquivo pessoal LEIA TAMBÉM 'Ato de muita coragem': Mulheres realizam sonho de viajar o mundo sozinhas com apoio de agências especializadas no interior de SP ADEPTOS À MODALIDADE: Ensino a distância atrai quase 70% dos novos universitários na região de Sorocaba 'Confiantes, determinadas e felizes': 'Escola de dança circense de Itu sobe ao topo do pódio em competição no Paraguai: ' 🎼 Reparação histórica após 160 anos A pesquisa de doutorado de Leonardo investiga a ópera inédita "A Louca", de 1861, composta pelo ituano Elias Álvares Lobo. A partitura integral foi localizada pelo pesquisador no Acervo Histórico da Biblioteca Alberto Nepomuceno, da Escola de Música da UFRJ, no Rio de Janeiro. A obra nunca foi encenada ou apresentada em sua totalidade. O intercâmbio na Itália ganha um significado especial por reparar um desencontro do passado. No século XIX, o próprio Elias Álvares Lobo ganhou uma bolsa para estudar em solo italiano, mas, por circunstâncias da época, não pôde realizar a viagem. "Mais de um século depois, posso levar Elias Lobo, por meio da pesquisa sobre a sua obra, justamente ao país para o qual, um dia, ele também teria ido estudar. É uma grande responsabilidade, não só pela minha identidade como ituano, mas pela internacionalização do nosso patrimônio cultural", destaca. A pesquisa de doutorado de Leonardo investiga a ópera inédita "A Louca" Arquivo pessoal 🎹 Da viola caipira ao órgão de tubos francês A trajetória de Leonardo começou aos nove anos por incentivo da avó, Francisca. Seus primeiros passos na música foram dados na Orquestra Ituana de Viola Caipira, sob orientação da professora Célia Trettel. Mais tarde, ele cursou violão clássico no Conservatório Maestro Henrique Castellari, em Salto (SP), até ingressar na Unicamp para o bacharelado em Violão Clássico e Regência, seguido pelo mestrado e, agora, pelo doutorado. Multi-instrumentista, além de viola e violão, Leonardo toca sanfona, piano e o órgão de tubos francês Cavaillé-Coll, instalado na Igreja Matriz Nossa Senhora da Candelária, em Itu, onde atua na execução musical das missas. No mestrado, sua pesquisa já havia homenageado outro nome das artes locais: o compositor ituano Miguelzinho Dultra. A ligação com a Itália também é antiga. O pesquisador estuda a língua italiana desde os 14 anos e atua como professor do idioma. "A experiência de estudar na Itália concretiza o elo entre o idioma, a arte e a música. Pessoalmente, é a maior realização que já tive", declara. Multi-instrumentista, além de viola e violão, Leonardo toca sanfona, piano e o órgão de tubos francês Cavaillé-Coll Arquivo pessoal ✈️ Rotina na Europa e planos para o retorno Com embarque marcado para esta segunda-feira (10), o período letivo de Leonardo na Universidade de Bolonha se estende de setembro a fevereiro. Na instituição, ele frequentará aulas de dramaturgia musical e formas do teatro operístico com professores especializados, além de realizar pesquisas em acervos e bibliotecas da região da Emília-Romanha. Na agenda cultural, o músico pretende realizar o sonho de assistir a espetáculos no emblemático Teatro alla Scala, em Milão, referência mundial da ópera. O retorno ao Brasil está previsto para depois de março, quando dará continuidade ao doutorado na Unicamp e aos seus projetos musicais e educacionais na região de Sorocaba e Itu. Ao refletir sobre a conquista, Leonardo deixa uma mensagem para os jovens artistas e estudantes da região: "Não há limites para vivenciar experiências, seja na vida pessoal, acadêmica ou artística. É fundamental valorizar a nossa própria história, o nosso lugar e as nossas raízes. Levar a cultura da nossa região para o mundo é mostrar a riqueza que temos. O caminho pode não ser rápido, mas é possível chegar muito mais longe do que imaginamos quando temos coragem para começar", finaliza. 🏫 Instituição mais antiga do mundo ocidental As origens da Universidade de Bolonha remontam a tempos antigos. A Universidade foi fundada em 1088 e passou por períodos como a Idade Média e pelo eclético Renascimento, até a estagnação da era moderna e seu renascimento na contemporaneidade. Nomes renomados da história mundial já estudaram ou trabalharam como professores na Universidade. Veja alguns nomes: Nicolau Copérnico: astrônomo, matemático e cônego estudou Direito Canônico em 1.497. Formulou a teoria heliocêntrica, posicionando o Sol no centro do Sistema Solar. Sua obra desencadeou a Revolução Científica; Petrarca: considerado o "pai do Humanismo" e um dos maiores poetas da literatura mundial. Suas ideias moldaram o Renascimento cultural europeu e a evolução da língua e da poesia ocidentais. Também estudou direito na Universidade, em 1.320; Gregório XIII (Ugo Boncompagni): como Papa, promoveu a reforma do calendário em 1582. O calendário gregoriano é o sistema de medição do tempo utilizado oficialmente por grande parte do planeta até hoje. Foi professor de Direito Canônico na Universidade. Luigi Galvani: pioneiro na descoberta da bioeletricidade (galvanismo). Suas experiências com a condução elétrica em tecidos biológicos fundamentaram a neurofisiologia moderna e imortalizaram seu nome na ciência e na linguagem comum. Estudou medicina na Universidade, em 1.754; Umberto Eco: um dos escritores, semiólogos e intelectuais mais influentes da era contemporânea, cuja obra literária (com destaque para o romance O Nome da Rosa) obteve alcance e reconhecimento global. Foi professor de semiótica e fundador do estudo de Ciências da Comunicação nas universidades italianas e da Scuola Superiore di Studi Umanistici. *Colaborou sob supervisão de Gabriela Almeida Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí Initial plugin text VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM